29 dezembro 2010

O Papa é o Anticristo - 2

Escrito por Gordon H. Clark[1]

A seção 6 [CFW XXV.6] fala do cabeça da Igreja. Henrique VIII e os monarcas que o sucederam reivindicaram ser o cabeça da Igreja. Antes de Henrique VIII, a reivindicação pelo Papa deste título era virtualmente sem concorrentes. A Confissão de Westminster aqui desconsidera Henrique VIII por implicação,[2] mas refere-se explicitamente somente ao Papa.

Do Papa a Confissão diz que não pode em algum sentido ser o cabeça da Igreja. A principal razão é que Cristo é o cabeça da Igreja. A segunda razão é que a igreja de Roma não é a Igreja de Cristo.

Então a Confissão continua mais a adiante e identifica o Papa ou o Papado com o anticristo. Em tempos mais recentes têm se oferecido algumas objeções a esta identificação. Uma objeção de menor importância é que tal identificação, pelo fato de não ser uma doutrina abstrata como a doutrina da Justificação, não deve ser considerada como essencial ao “sistema de doutrina”. Então, não deveria ser requerido crer nela para a ordenação, nem deveria estar na Confissão. Mas esta é uma objeção fraca, pois a Concepção Virginal e a Ressurreição são eventos singulares, e não doutrinas abstratas, ainda assim estes eventos – como a sua explicação doutrinária – estão completa e adequadamente na Confissão.

Uma objeção mais importante é que a evidência das Escrituras para identificar o Papa como o anticristo é fraca, e que, apesar dela ser uma opinião digna de discussão, ela não pode ser considerada confessional.

Observemos que a forma que a Confissão agora adotada pela United Presbyterian Church in the USA [3] lê o seguinte: “O Senhor Jesus Cristo é o único cabeça da Igreja, e a reivindicação por qualquer homem de ser o vicário de Cristo e o cabeça da Igreja, não tem base nas Escrituras, é sem garantia com a realidade e é uma usurpação desonrosa ao Senhor Jesus Cristo.”[4]

Os reformadores, todavia, tinham algumas boas razões para pensar que o Papado era o anticristo. Em primeiro lugar, 2 Tessalonicenses 2:3-4 declara que o anticristo se sentaria no trono de Deus. Isto indica que pelo menos ele é um líder religioso. De alguma forma ele manejaria um poder político, sendo ele primariamente um personagem religioso. Em segundo lugar, a mulher de Apocalipse 17, que deu a taça com o sangue dos mártires, sentou-se sobre as sete montanhas ou colinas e disse ser “aquela grande cidade que reinaria sobre os Reis da terra.” Obviamente esta é Roma.

Atualmente se admite que os cristãos primitivos provavelmente pensavam que o Império Romano era o anticristo. A terrível perseguição, não somente de Nero, mas do estóico imperador Marcos Aurélio, e o final empenho de Diocleciano adéqua-se bem as descrições. Todavia, a Escritura não permite tal identificação, pois o anticristo será destruído pela gloriosa vinda de Cristo, e isto ainda não ocorreu, não obstante o Império Romano há muito deixou de existir.

Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) algumas pessoas intencionaram planejar um reviver do império sob Mussolini. Um desses dispensacionalistas falou-me em 1927 que a fronteiras nacionais da Europa, que ele havia diligentemente estudado, era exatamente como no tempo de Cristo, e que – lembro-me de suas palavras – nenhuma mudança de fronteira poderia ocorrer até que Cristo retornasse. O cavalheiro era editor de um popular periódico religioso, mas agora evidencia que ele estava errado.

Todavia, se a mulher que fará reis beberem do vinho de sua fornicação é Roma, então pelos últimos séculos dificilmente poderíamos suspeitar de outro senão do Papa. Este é o mais claro, embora que não conclusivo argumento, e por esta razão a declaração poderia enfraquecer a Confissão de Westminster, entretanto, ela parece manter a mais plausível opinião.

NOTAS:
[1] Gordon H. Clark (1902–1985) foi um filósofo e teólogo presbiteriano nos EUA. Caso se interesse em ler uma breve análise do pensamento de Clark acesse AQUI.
[2] Parece que Clark estava fazendo uma crítica à interpretação proposta por Robert Shaw. Para ler o comentário de Shaw da CFW XXV.6 acesse AQUI.
[3] Até 1982 esta denominação chamava-se United Presbyterian Church in USA, mas a partir de 1983 passou a nominar-se Presbyterian Church of USA.
[4] O texto original aqui citado declara que "The Lord Jesus Christ is the only head of the Church, and the claim of any man to be the vicar of Christ and the head of the Church is unscriptural, without warrant fact, and is a usurpation dishonoring to the Lord Jesus Christ." - esta é versão revisada pela UPCUSA da CFW XXVII.6. A revisão feita pela PCUSA trás o seguinte texto original "The Lord Jesus Christ is the only head of the Church, and the claim of any man to be the vicar of Christ and the head of the Church is without warrant in fact or in Scripture, even anti-Christian, a usurpation dishonoring to the Lord Jesus Christ." [O Senhor Jesus Cristo é o único cabeça da Igreja, e a reinvindicação de qualquer homem de ser o vicário de Cristo e o cabeça da Igreja, é sem garantia da realidade, ou da Escritura, e deste modo anticristã, uma usurpação ao Senhor de Jesus Cristo]. O texto original da CFW 1646 trás o seguinte texto "There is no other head of the Church but the Lord Jesus Christ: nor can the Pope of Rome in any sense be head thereof; but is that Antichrist, that man of sin and son of perdition, that exalteth himself in the Church against Christ, and all that is called God." Acessado em 29 de Dezembro de 2010.

Extraído de Gordon H. Clark, What do Presbyterians believe? (Unicoi, The Trinity Foundation, 2001), pág. 224-225. Este comentário da CFW foi publicado originalmente em 1965.

Tradução livre 28 de Dezembro de 2010.
Rev. Ewerton B. Tokashiki

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